domingo, 29 de novembro de 2020

Laura Moscatel

 a doce Laura


Tinha muita curiosidade em beber este vinho, que por vários motivos me despertou interesse. Quão diferente pode ser um Moscatel (de Alexandria) produzido na Península de Setúbal de um produzido em Jerez? Qual a influência do terroir? Será que o conseguiria distinguir em prova cega?

Pois bem, chegou o dia, e a Laura mostrou-se bem interessante. Doce, muito doce (fruta em passa, figo seco e uva em passa, açúcar mascavado, leve caramelo), um vinho de concentração, resultado do fenómeno de empassamento, mas com uma frescura interessante, nada elevada, mas qb para lhe conferir equilíbrio gustativo, com uma sensação mineral típica dos solos albariza da região de Jerez.

Não é um vinho de grande complexidade, mas é um vinho diferenciado, bem feito, e com um preço escandalosamente baixo. Mas essa parte não divulguem, para ver se não sobe muito... Já provaste algum Moscatel de Jerez? Se sim, partilha a tua experiência nos comentários.

#avinhar #moscatel #jerez


sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Vinha do Convento tinto 2017

 O novo topo de gama do Conde Vimioso


Conde Vimioso é uma marca da Falua, um produtor do Tejo, que celebra este ano 20 anos, e para celebrar esse marco, foi lançada esta nova referência, o Vinha do Convento, um tinto da colheita de 2017, o novo ícone da casafeito com as castas Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon e Castelão, um lote de 11 barricas de carvalho que resultaram em 4.397 garrafas numeradas.

Um vinho com a nota terrosa do Castelão, a frescura do Cabernet Sauvignon, e com a generosidade da Touriga Nacional, no perfume e na estrutura. Um tinto ainda jovem mas equilibrado, estando pronto a beber, mas que seguramente que irá evoluir positivamente nos próximos anos.

Parabéns pelos 20 anos!

#avinhar

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Lacourte Godbillon Brut Nature

 "Tão bom como Champagne"...


Champagne é muito mais do que as grandes casas, já o disse aqui várias vezes, e nem tudo o que é Champagne é bom. Contudo, também há coisas boas, muito boas, e não é por acaso que Champagne continua a ser a referência quando se fala de espumantes de qualidade.

O problema das comparações é comparar o que nem sempre é comparável, fazendo considerações vagas e muitas vezes sem nexo. Quando dizemos que um determinado espumante é tão bom como um Champagne, estamos a falar exactamente do quê? Qual o espumante em questão para esse benchmarking? Relembro, lá também há bom e também há mau.

Apesar disso, não digo que não se compare, não digo que não se tente estabelecer paralelos e perceber diferenças, mas devemos acabar com aquelas expressões do tipo "Tão bom como um Champagne", pois a única coisa que fazemos é valorizar a região de Champagne.

Bem, foi só um desabafo, pois até nem tinha nada de especial para dizer sobre este espumante em particular. Não conhecia o produtor, Lacourte Godbillon, que apresenta este Brut Nature (dosage 0 g/l), um lote de Chardonnay (50%) e Pinot Noir (50%), um Premier Cru (Écueil) da Montagne de Reims. Notas de brioche, leve fruto seco, aroma mineral, um espumante bem seco, bem fresco, muito mineral, fresco, muita persistência e bolha fina. Uma espécie de entrada de gama de luxo deste pequeno produtor, uma referência de preço acessível para a região.

#avinhar

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Vidigueira tinto 2019 Trincadeira

 Uma novidade da Vidigueira


Foi apresentado mais um monocasta da Adega Cooperativa da Vidigueira, Cuba e Alvito, desta vez, um vinho dedicado à casta Trincadeira, uma variedade típica na região, embora usualmente uma casta de lote. Um vinho fermentado em lagar, com 9 meses de estágio em barricas usadas de carvalho francês. Foram produzidas 13.333 garrafas, com um PVP recomendado de 7,25€.

Um vinho de cor intensa, aroma frutado, fruta madura, não em passa mas doce, ameixa e fruta preta, que se distingue pelas notas balsâmicas e pela sua frescura vegetal. Seco e encorpado, boa frescura apesar do elevado grau de álcool, que se sente, mas não está em excesso, um vinho macio, de pouco tanino e relativamente fino, frutado, com a nota vegetal presente, mentol em destaque.

Para se beber com temperatura controlada, por volta dos 16 graus. Acompanhe com pratos intensos, um borrego no forno com batata ou até mesmo com sobremesas de chocolate, como um petit gateau.

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sábado, 21 de novembro de 2020

Horácio Simões 2013 Bastardo

 De bastardo, não tem nada...


... ou seja, não é um filho ilegítimo deste produtor, não é um vinho menor, é apenas o nome da casta com a qual se produz este vinho licoroso / fortificado. É verdade que a região até tem um generoso, o Moscatel de Setúbal, que acaba por ofuscar qualquer outro licoroso que se produza na região (o mesmo acontece entre o vinho do Porto e o Moscatel do Douro), mas não deixa de ser uma curiosidade muito interessante e que faz alusão aos Bastardinhos do passado.

Este era da colheita de 2013, um licoroso Palmela, com 19,5%, feito da casta tinta Bastardo. Aroma doce, notas de figo seco e algum fruto seco, um vinho doce mas equilibrado, untuoso como não poderia deixar de ser. Não sei se envelhecem bem, estava  guardar esta garrafa, mas não aguentei mais tempo. Estava cheio de depósito, isso não tem nada de mau, aliás, até é quase uma assinatura da casa de não filtar os vinhos antes de engarrafar e que com algum tempo de garrafa criam depósito.

Foi uma boa companhia ao final da refeição, já com sobremesas (já não me lembro o que foi, mas tenho ideia de ter sido uma tarte de amêndoa), e deu para muita conversa, pois mais ninguém à mesa já tinha bebido Bastardos...

#avinhar